terça-feira, 15 de agosto de 2017

Que a fé não se perca!

terça-feira, 15 de agosto de 2017


É preciso ter fé, acreditar e seguir. Fé é saltar de paraquedas mesmo com medo de voar, é se agarrar em ilusões absurdas, é abraçar o que não é concreto, é acreditar sem ser visto ou tocado. Fé é acreditar sem ver, é o mistério que incomoda a razão.
Assistindo a um episódio de Mad Men, me vi em uma das cenas: uma mulher desesperada com um resultado de exame, tentava manter a serenidade para a família. Naquele momento, percebi que fazer algumas cenas são difíceis até mesmo na tv, e ser atriz na vida real, é pior ainda, mesmo com muito talento. É difícil segurar o choro contido e o desespero instalado. É difícil manter a aparência quando uma catástrofe inóspita desarranja nosso destino.

Sinceramente, não sei o que é pior, nos vermos no fundo do poço ou termos a esperança de um fio de luz no fim do túnel. Não sei o que é mais pavoroso se sentir em perigo ou sentir a vida caminhando para o fim. É muito devastador sentir a vida por um fio, a pior sensação que alguém possa ter ou pode ser sem explicação, porque os absurdos não têm noção do que é sofrimento.
Eu entrei naquela cena do seriado sem muita explicação, talvez eu estivesse mais sensível. Naquele momento, eu senti a dor da personagem e tive a sensação de querer arrancar aquele problema dela. Ficava imaginando se fosse comigo, se fosse com alguém próximo... Se fosse... Mas não é! Na mesma hora, eu me levantei do sofá, abri a janela do meu quarto, olhei para a Igreja e pedi a Deus uma vida longa com saúde, o que pode até soar mesquinhez e é.
Os contratempos da vida nos arrastam para mais perto da fé, do amor e da paz. Somos tão esquisitos que precisamos levar uma rasteira para que possamos ser melhores, mais pacientes e até mesmo mais carinhosos. Na hora do desespero, abraçamos a fé para nos aliviar, fingimos ser positivos, inventamos sorrisos no lugar dos rancores. O desespero é o soco na soberba e, a humildade, é o primeiro passo para o recomeço.
Por que nos tornamos melhores e mais maleáveis quando o mundo cai e a ponte desaba? Fiquei pensando nisso. Por que aquela mulher precisava de um diagnóstico fatal para reatar com a vida e com a família? Um sorriso gratuito e da alma, é melhor do que palavras para nada. Por que somos ruins ao invés de sermos felizes? Por que? Não tenho as respostas, mas conclui que não quero uma vida fajuta e infeliz.
Não vou sair por aí fingindo que me converti ou exalando bondade. Não vou! Vou ser eu mesma mais lapidada. Quero apenas que minhas palavras sejam amigas, que meu sorriso seja descontraído, que eu tenha mais paciência com a família e meu filho. Quero ser alguém mais humana, sem ser oportunista.
Em pé na janela refleti a vida olhando para a igreja e, para ser sincera, pensei apenas. Não estava buscando respostas e nem me igualava com uma personagem de ficção, embora a vida seja uma ficção. Então, ali respirando ar puro em uma noite chuvosa, me lembrei que amanhã posso levantar um pouco mais tarde porque é sábado, e que já era tarde demais para pensar em coisas absurdas.
Olhei para a minha cama, fechei meus pensamentos desconexos e decidi viver com fé, mesmo que às vezes, eu fuja dela... “Andar com fé eu vou que a fé não costuma faiá”.

O tipo de amor que eu quero…



Ando me perguntando repetidamente: O que você quer?
E como coleciono tentativas falhas de não pensar com o coração, decidi assumir, para mim, que sou uma confessa receptora de sentimentos (sem filtros, acho que infelizmente. Estou decidindo ainda).
Como se meu coração fosse um pote mágico que se adapta ao volume de sentimentos recebidos sem nunca transbordar ou estar cheio demais, ele está sempre aberto e porque não dizer, sempre passando por apertos.

Outro dia estava ouvindo uma palestra do Gasparetto onde ele dizia que a gente idealiza muito os relacionamentos e, “se for daquelas românticas então, são as que mais se ferram e dão cabeçada”, ele disse. Quem sou para discordar? Sabe alguma coisa, esse Gasparetto!
Tentei, então, não romantizar. Sejamos práticos! Falei para meu coração. A vida é assim mesmo, cada um tem seu jeito e você nunca vai encontrar essa tal tampa para a panela que as pessoas procuram, o chinelo velho para o pé cansado, pare com isso! Assim é que é, precisamos encarar os fatos de que as relações que duram são aquelas onde um lado faz concessões naquilo que é intragável no outro.
Mas cadê que eu consigo me convencer disso? Não tem jeito, não entra na minha cabeça que seja possível a gente levar uma relação assim, e ser feliz ao mesmo tempo. Até vá lá que hajam as diferenças, porque eu também não vivo no mundo da lua (eu acho), mas tem que ter uma troca positiva muito maior para fazer valer a pena. Essa de engolir sapos, não me passa.
Não é possível que meu ideal de relacionamento só exista na ficção e, se for mesmo assim, tudo resolvido, eu preciso achar um roteirista para envelhecer comigo! Mas enquanto eu sigo procurando e me frustrando, pus-me a pensar no que eu quero. No tipo de amor que eu quero…
Quero um amor que me faça feliz. Que precise da minha companhia, do meu sorriso, do meu bom-humor, do meu calor no travesseiro ao lado.
Um amor que vibre com as minhas conquistas e me sacuda nas minhas derrotas para eu não me dar por fracassada e desistir.
Quero um amor que divida a garrafa de vinho no silêncio da casa e se no auge do porre quiser gargalhar e em seguida chorar comigo, vamos fazer assim.
Quero um amor que caminhe de pés descalços na praia, sentindo a areia nos pés, o vento bagunçando os cabelos, que fite junto comigo aquele oceano imenso e respire a paz que eu sempre sinto quando olho com respeito para aquela imensidão imponente.
Quero um amor que goste da mesma música ridícula que eu e que aumente o volume para cantar mal cantado aquele refrão horroroso que vamos esquecer no verão seguinte. E que seja curioso e me apresente cantores novos e aprenda uma melodia comigo para cantarmos no chuveiro.
Quero um amor para beber comigo aquela xícara de café no domingo de manhã e derrubar comigo a lata de leite condensado, só porque a gente gosta mesmo de pecar de vez em quando.
Quero um amor para dividir a pipoca assistindo aquela comédia romântica que eu adoro e que chore comigo naquela parte que curiosamente muitos riem.
Quero um amor para a minha solidão. Um que me abrace apertado e diga que entende que eu odeie ficar só, mas que às vezes acontece e que vai ficar tudo bem, logo vai passar.
Quero um amor que respeite meu olhar de lamentação ao abrir a janela e ver que o dia está lindo, mas que estou com vontade de ficar dentro de casa, mesmo assim.
Quero um amor que tenha pique para colocar um tênis e faça uma caminhada longa comigo para chegar num parque onde não tem nada… Mas é um parque, poxa. Meu amor compreenderia como isso já significa tanto.
Quero um amor que entenda se eu ficar horas absorta nos comentários das coisas que escrevo e se eu me perder nas horas divagando nos textos dos meus pensamentos e perder a hora de ir pra cama.
Quero um amor que entenda que às vezes eu vou beijar meus filhos e sentir que eles são a coisa mais importante da minha vida, e vou cheirar o pescoço deles enquanto eles dormem e deitar de conchinha com eles e esquecer do mundo, esquecer de voltar pra minha cama ou de tirá-los de lá, porque eu queria mesmo era que aquele momento durasse o máximo possível. Eles vão crescer… E não vão mais me deixar cheirar o pescoço deles… Não quero perder essas súplicas de “deixa eu ficar com você” enquanto elas não vierem da minha boca.
Quero um amor para meus momentos de TPM, quando meu próprio pensamento me tirar do sério e eu acabar sendo ríspida comigo mesma em uma resposta atravessada. Que ele saiba, vai passar. Que ele lembre, eu não sou sempre assim. Na maior parte do tempo eu até que sou bem legal.
Quero um amor que me ache uma companhia divertida, uma mulher inteligente, uma menina carente, um ser humano com hormônios.
Quero um amor que aprecie a companhia do meu silêncio quando estiver absorta na leitura de um livro bom.
Um amor que aceite meus defeitos, minhas inconsistências, meu romantismo e minha imaturidade duelando com a mulher responsável e sóbria que necessito ser para sobreviver.
Quero romance, carinho, tesão, praticidade, responsabilidade, maturidade, infantilidade, carência, independência, sobriedade e depressão. Aquele amor que vai gastar a última grana na pizza e adiar o pagamento da conta de luz, e que vai ligar para o pedreiro quando o cano quebrar e se preocupar com as contas no final do mês.
Quero um amor irresponsavelmente responsável.
Que goste da casa limpa e da roupa no varal exalando a amaciante, mas que bagunce o armário e o banheiro e deixe várias trocas de pijamas no canto do quarto para arrumar depois, quando a vontade bater. Que more na bagunça organizada da minha vida e não psique com isso.
Quero um amor que não tabule coisas de homem e mulher, mas que a gente faça juntos ou separados as coisas que nos derem vontade, sem estabelecer regras de quem tinha aquela responsabilidade.
E querendo tantas coisas de um amor, para depois nunca encontrá-las em ninguém em quem projetasse minhas expectativas que julguei, fossem irreais demais, compreendi e vendi para meus ex-amores que a culpa era minha. “Não é você, sou eu”, era a chave do meu discurso sobre o fim que eu sempre estabelecia nas minhas relações.
Por fim, ao me questionar repetidas vezes sobre o tipo de amor que eu quero e amargurar na solidão do vazio ao não encontrar esse sentimento em alguém, acho que encontrei, enfim, o tipo de amor que preciso, que me entende, compreende as minhas necessidades, respeita as minhas limitações e imperfeições e me faz muito especial quando enxerga meu potencial, minhas qualidades e as razões pelas quais eu sou, embora exigente demais comigo mesma e com quem vai comigo, uma mulher com quem vale a pena viver.
Busquei avidamente em alguém a resposta para o que eu queria, e sobrecarreguei muitos alguéns com aquilo que eu precisava, para enfim acalmar meu coração no encontro com esse amor que me preenche e está me ensinando a cuidar dos meus vazios, quando ele não puder ser preenchido por mais ninguém. É um amor paciente e persistente, e vai precisar ser, porque ainda tenho muito o que aprender.
É um amor sóbrio, também conhecido como…Amor próprio!
E quando ele chegou, percebi, não havia sido capaz de amar verdadeiramente ninguém, porque ele me faltava e sua ausência me cegava. Percebi que morava em mim a capacidade de ser o que eu quero encontrar, para que quando o amor chegar, eu não o sobrecarregue com meu querer, mas saiba ser, simplesmente, o amor de alguém.

Não conte nada a ninguém e seja feliz!



“Que as grandes fortunas foram feitas em silêncio e a velha guarda dos bilionários às vezes é flagrada até viajando numa classe econômica. Não sei porquê, mas boa parte dos homens mais ricos que conheci tinham a camisa meio surrada e, quando tinham avião, sempre era em sociedade com amigos. E jamais entraram numa Ferrari ou sabem o que é um camarote de boate. A não ser que tenham sociedade na boate, é claro.

Um dia, perguntei a um poderoso amigo francês por que os ricos de sua terra eram discretíssimos em relação à dinheiro, a ponto de jamais tocar no assunto e levar uma vida de classe média.
Num surto de sinceridade, meu amigo, cujas filhas só ficaram sabendo aos 30 anos que o pai tinha um avião, disse: ‘Tão perigosa quanto a inveja é a capacidade de o ser humano achar que chegou ao topo. Quando ele acha que pode tudo, começa o fim.”
(Bruno Astuto para a GQ Brasil de dezembro, n.º 33 – Edição Especial Men Of The Year)
Minha avó já dizia, contra a inveja, o silêncio. Ninguém precisa saber da sua vida, das suas conquistas, dos caminhos que pretende seguir, dos tombos, fracassos, enfim, da sua rotina. Você não deve explicação a ninguém.
Não precisa sair por aí gritando a felicidade ou reclamando no Facebook; viver a sua vida, já está de bom tamanho. Ninguém é feliz e tão bem-sucedido como no Facebook.
Você não precisa fazer propaganda da sua vida em uma rede social para dizer que é melhor do que o outro. Ninguém é melhor do que ninguém, o dinheiro faz (de conta) que umas pessoas são melhores que as outras, quanto engano.
Tenho à péssima mania de contar algumas conquistas e coisas bacanas para os outros. Mesmo sendo bem seletiva, descobri como poucas que a inveja não tem nome ou sobrenome, vem de quem a gente menos imagina...
...É Bruno Astuto, se tem uma frase que marcou a minha vida e vai ser levada à risca agora em diante é essa:
“Tão perigosa quanto a inveja é a capacidade de o ser humano achar que chegou ao topo. Quando ele acha que pode tudo, começa o fim.”
Então, pés no chão, boca fechada, olhar para frente e coração-bússola. Se a gente tem isso e saúde, não há mal que sempre vença. Que o bem prevaleça. Amém!

Via: O Segredo

Mais uma criança de oito anos morre na noite de núpcias com marido muçulmano de 40 anos.



Uma criança de oito anos morreu no último sábado, no Iêmen, após a lua de mel com o marido muçulmano de 40 anos. Segundo os médicos, a menina, identificada como Rawan, teve hemorragia causada por ferimentos internos no útero.
A morte aconteceu na área tribal de Hardh, na fronteira com a Arábia Saudita. Ela teria sido vendida pelo padrasto para um muçulmano saudita por cerca de R$ 6 mil, segundo o jornal alemão “Der Tagesspiegel”.

– Na noite de núpcias e após a relação sexual, ela sofreu hemorragia e ruptura uterina, que causaram sua morte – disse Arwa Othman, da Casa de Folclore do Iêmen à Reuters. – Eles a levaram para uma clínica, mas os médicos não puderam salvar sua vida.
Ativistas de direitos humanos pressionam para que o muçulmano saudita e a família da menina sejam responsabilizados pela morte.
– Após este caso horrível, repetimos nossa exigência para uma lei que restrinja o casamento para maiores de 18 anos – afirmou um membro do Centro Iemenita de Direitos Humanos à agência DPA.
Casamentos de meninas do Iêmen chamaram a atenção internacional em 2010, quando uma jovem de 13 anos morreu de hemorragia interna depois de ter tido relações sexuais com o marido que tinha o dobro de sua idade.
O caso inspirou uma outra menina iemenita, de nove anos, a publicar um relato traduzido sobre seu casamento com um homem de três vezes sua idade.
No Afeganistão uma menina de 6 anos foi vendida para um homem de mais de 40 anos por alimentos e uma cabra, o caso repercutiu no país.
A ONG Human Rights Watch, sediada em Nova York, fez um apelo no ano seguinte para que o governo proibisse o casamento de menores de idade no país.
Citando dados das Nações Unidas, o Human Rights Watch afirma que cerca de 52% das meninas no Iêmen se casam antes dos 18 anos, e 14% antes dos 15. Muitas delas são forçadas a parar de estudar quando atingem a puberdade.

Toque-me profundo ou deixe pra lá! Relacionamentos rasos já tenho bastante.



De relacionamentos rasos o mundo está cheio. E não tem nada demais nisso não. Não podemos esperar que todo contato que temos seja profundo, que vizinhos se tornem amigos do peito, que passantes na rua sejam mais que isso, que colegas de trabalho sejam também colegas de vida… É assim mesmo. A maioria de nossos contatos é rasa e isso é normal.

Portanto, não estou escrevendo para criticar os relacionamentos rasos, não, não é isso. Eles estão aí, fazem parte e são até necessários. O problema é que já tenho muitos, na verdade, demais! A coisa anda inflacionada, com muita gente só passando, só olhando de longe, só botando a ponta do dedo para não molhar a mão. É excesso de gente que fica só na superfície, que pergunta sem querer mesmo saber, gente que só transita, sem real interesse em parar para se conhecer melhor, deixando a impressão de que quer ouvir, mas sem escutar, que quer ver, mas sem enxergar, pensar sem refletir, comer sem degustar, dormir sem sonhar e existir sem realmente viver.
O problema é que tem tanta gente querendo só a casca que já não tenho mais casca para dar! Francamente, minha casca acabou!  Então, se você deseja relacionamentos rasos, tudo bem, busque-os, é um direito seu, mas eu não posso lhe ajudar, já que estou quase totalmente descascado! Do pouquinho de casca que ainda resta eu preciso para meus contatos rasos inevitáveis.
Agora, se você tiver buscando um contato verdadeiro, se você não tiver medo de nadar em águas profundas, se você não quer só tirar uma lasca da casca, mas ver o que tem no miolo, então sim, aí podemos conversar. Aqui tenho interesse!
Se você, como eu, também sentir essa necessidade teimosa de olhar para dentro, se para você uma lágrima sincera também é muito mais gratificante que qualquer sorriso fingido, se você também prefere a verdade amarga a qualquer doce ilusão, somos então farinha do mesmo saco, madeira da mesma árvore, raios da mesma luz. E gente assim pode chegar sempre!
Mas sabe o que não adianta? Não adianta ser raso e querer se passar por profundo. Profundidade não se finge. Pode até tentar, mas não funciona, pois o que é raso é oco e flutua sempre na superfície. Você pode puxar para baixo, mas o que é raso não fica, emerge e volta para cima, onde é seu lugar. Então, lhe peço: se não for com profundidade autêntica e verdadeira, nem precisa chegar perto. Fique lá em suas rasuras e me deixe quieto por cá. De nada vai adiantar, por exemplo, se você chegar perguntando como eu estou, mas sem querer realmente saber, pois eu vou responder com franqueza e você vai arrumar uma desculpa para não escutar, deixando cair a máscara do raso desinteressado que tenta se passar por profundo.
Então, bem-vindos aqueles que buscam um contato profundo! E os rasos que me desculpem, mas não posso. Relacionamentos rasos já tenho bastante.

Até 2020, a depressão será a doença mais incapacitante do mundo, diz OMS.



Transtorno ainda enfrenta preconceito, apesar de afetar mais de 120 milhões de pessoas.
Ela chega de mansinho, assim como quem não quer nada. Num dia, você acorda triste, desanimado. No outro, bate uma sensação de vazio e uma vontade incontrolável de chorar, sem qualquer motivo aparente. A depressão é assim, um mal silencioso e ainda mal compreendido – até mesmo entre os próprios pacientes. Considerada um transtorno mental afetivo, ou uma doença psiquiátrica, a depressão é caracterizada pela tristeza constante e outros sintomas negativos que incapacitam o indivíduo para as atividades corriqueiras, como trabalhar, estudar, cuidar da família e até passear.

De acordo com OMS (Organização Mundial de Saúde), até 2020 a depressão será a principal doença mais incapacitante em todo o mundo. Isso significa que quem sofre de depressão tem a sua rotina virada do avesso. Ela deixa de produzir e tem a sua vida pessoal bastante prejudicada. Atualmente, mais de 120 milhões de pessoas sofrem com a depressão no mundo – estima-se que só no Brasil, são 17 milhões. E cerca de 850 mil pessoas morrem, por ano, em decorrência da doença.
Descrita pela primeira vez no início do século 20, a depressão ainda hoje é confundida com tristeza, sentimento comum a todas as pessoas em algum momento da vida. Brigar com o namorado, repetir o ano escolar e perder o emprego são motivos para deixar alguém triste, cabisbaixo. Isso não significa, porém, que o sujeito está com depressão. Em alguns dias, ele, certamente, vai estar melhor.
O desconhecimento real do funcionamento desse transtorno afetivo é o principal responsável por um dos maiores problemas para quem sofre com a depressão: o preconceito. Para Marcos Pacheco Ferraz, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), ele ainda existe e prejudica muito o paciente.
- Principalmente no ambiente de trabalho, onde há competições e cobranças por bom desempenho, é comum as pessoas nem comentarem sobre a enfermidade. Nesses casos, o melhor é tirar férias ou licença médica.
E não é só isso. A ignorância em torno da doença faz com que familiares e amigos, na tentativa de ajudar, piorem ainda mais a condição do depressivo. Frases como “tenha um pouco de força de vontade”, “vamos passear no shopping que melhora”, “você tem uma vida tão boa, tá com depressão por que?” e “se ocupe com outras coisas que você não terá tempo de pensar em bobagens”, funcionam como uma bomba na cabeça de quem já se esforça, diariamente, para conseguir sair da cama.
- Isso mostra que as pessoas não conhecem o transtorno. Achar que é frescura ainda é comum. Elas não imaginam que o paciente não consegue reagir. Não depende de força de vontade.
A designer C.N., 35 anos, que passou por uma depressão severa há alguns anos, sabe bem o que é isso. Mesmo trabalhando em um ambiente com pessoas bastante esclarecidas, ela cansou de ouvir esse tipo de comentário. E os efeitos eram devastadores. Ela conta que “até críticas sobre o meu médico eu ouvi. Uma colega disse que ele não devia ser bom, pois depois de um mês de tratamento eu já deveria estar curada.”
- É incrível o poder que algumas palavras têm sobre o doente. A primeira coisa que as pessoas perguntavam era o motivo da minha depressão, pois eu tinha uma vida tão boa, uma família, filha, um casamento bacana, um emprego legal. O fato de não ter uma explicação para a doença me deixava péssima. Era um sentimento de culpa enorme.
Por isso, Ferraz diz que é muito importante a participação da família no tratamento. Eles precisam saber o que devem e o que não devem fazer em relação ao doente. Para ele, “fazer com que todos entendam o mecanismo do transtorno e como agem os remédios é fundamental para o sucesso do tratamento. Ainda existe o mito de que antidepressivo vicia, o que é um grande engano.”

Mais do que amor.



A amizade é um amor que nunca morre.
(Mario Quintana)
A felicidade de amar, ou o amor como contentamento, está intimamente ligado à amizade e não poderia ser relativizado, tampouco limitado à paixão ou carência. Não que a carência, condição que todos experimentamos, com maior ou menor intensidade, esteja excluída do amor. Tampouco, a paixão, afinal, como garante Hegel: “Nada de importante neste mundo se realizou sem paixão.” Ou como disse Nelson Rodrigues: “Sem paixão não dá nem para chupar um picolé.”

Não há amor feliz enquanto este for ausências particulares, carência. Nem tranquilo enquanto for apenas paixão. A amizade nos alegra enquanto nos afirma, nos sacia, nos tranquiliza. Por isto o amor está tão conexo à amizade, porque amo o que está e não o que desejo; desejar pressupõe falta. Só desejo o que me falta.
A amizade pode ser mais admirável do que o amor, pois não se pode ter amizade plena por quem não nos tem amizade, mas pode-se amar, ainda que com algum sofrimento, quem não nos ama, mesmo que por um tempo determinado. Amar com amizade é, portanto, a verdadeira equação da alegria. O amor é o laço produzido entre amigos. Amigos concretos, verdadeiros se frequentam, riem e choram juntos, se ajudam e vivem uma troca saborosa com todos os elementos que não encerram definições.
Sem amigos a vida pode ser muito sem graça; sem amizade o amor pode ser muito previsível.

Via: Obvious